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sexta-feira, 25 de maio de 2012

DARWIN


Darwinismo Social




Resumão/história - O darwinismo social


http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u2385.shtml




Hoje em dia as diversas versões do darwinismo defendem a ideia de que a evolução dos seres vivos resulta apenas do acaso, filtrado pela selecção natural. A teoria da evolução é essencialmente uma teoria de dois factores: a diversidade e a adaptação harmoniosa do mundo orgânico resultam da produção constante de variações e dos efeitos selectivos do meio ambiente. A diversidade orgânica é uma resposta da matéria viva à diversidade de ambientes e de oportunidades para diferentes formas de vida no nosso planeta. Darwin explicou naturalmente a diversidade dos organismos e as suas imperfeições sem atribuir estes fenómenos naturais aos desígnios do Criador: o seu princípio da imperfeição exclui qualquer explicação baseada num desenho preestabelecido. A biologia molecular reforçou a ideia de unidade da vida, descobrindo uma notável uniformidade nos componentes moleculares dos organismos, tanto na sua natureza como na forma como são interligados e utilizados: a unidade molecular (o código genético, por exemplo) revela a continuidade genética dos organismos vivos. Todos os organismos estão aparentados e descendem, portanto, de um antepassado comum. 1. A teoria clássica da evolução de Charles Darwin (1809-1882) e dos seus seguidores próximos pode ser resumida em quatro afirmações: (1) Os seres vivos que vivem actualmente descendem de seres muito diferentes que viveram no passado; (2) as mudanças evolutivas foram de tal modo graduais que, se fosse possível reunir todos os habitantes da Terra, do passado ao presente, surgiria um conjunto de formas razoavelmente contínuo; (3) algumas destas mudanças foram divergentes e muitas das espécies vivas descendem de um número de espécies ancestrais que é tanto menor quanto mais longe se retrocede no passado; (4) todas as mudanças foram produtos de causas que continuam a operar e que, por isso, podem ser estudadas cientificamente. Darwin deu à sua teoria da evolução o nome de "teoria da descendência com modificação": as modificações correspondem à adaptação dos órgãos ao modo de vida particular de cada espécie. Tal como Lamarck, Darwin parte da constatação fundamental de uma adaptação ou adequação entre a forma dos seres vivos e o seu modo de vida: os organismos respondem às mudanças ambientais desenvolvendo uma forma, função ou comportamento mais adequado às novas circunstâncias. A teoria darwinista da evolução afirma que os seres vivos mudam e diversificam-se com o tempo e que os organismos muito díspares descendem de um antecessor comum que viveu no passado. A teoria de Darwin assenta em duas observações e em duas conclusões fundamentais. As observações são as seguintes: (1) A variação, sob a forma de diferenças individuais, existe em todas as espécies e populações; (2) todos os organismos produzem descendentes em número muito maior do que aquele que sobrevive até à idade reprodutiva. Darwin e Wallace deduziram a selecção natural do princípio de Malthus: qualquer população tende a crescer numericamente numa progressão geométrica e, consequentemente, mais cedo ou mais tarde, será confrontada com os recursos limitados à custa dos quais subsiste. Só uma pequena parte da progénie sobrevive; a maior parte morre, sem atingir a idade reprodutiva: os sobreviventes são aqueles indivíduos que são dotados de traços mais bem adaptados às circunstâncias de vida. Destas observações Darwin deduz duas conclusões: (1) Existe uma competição ou luta pela sobrevivência (termo retomado de Spencer), na qual muitos indivíduos mais fracos são eliminados em benefício dos indivíduos mais fortes: o progresso evolutivo assenta nesta luta pela sobrevivência. (2) As características dos indivíduos que são favorecidos neste processo de eliminação são transmitidas à geração seguinte e às futuras gerações. Segundo Darwin, a base da evolução consiste, portanto, no aparecimento de modificações aleatórias e herdáveis nos indivíduos de uma população. A selecção natural adopta as modificações benéficas e elimina as prejudiciais. Isto significa que a adaptação evolutiva implica uma mistura de diversidade e selecção, de acaso e de necessidade. A ideia básica de que o processo evolutivo das espécies consiste no aparecimento de variações naturais nas populações sobre as quais a selecção natural actua, de modo a eliminar as modificações prejudiciais, estava assente, mas Darwin não soube explicá-la, sendo obrigado a reter a hereditariedade dos caracteres adquiridos de Lamarck como mecanismo subsidiário. Nas décadas de vinte e trinta do século XX, S.T. Tshetverikov, Ronald A. Fisher, Sewall Wright e J.B.S. Haldane lançaram os fundamentos da moderna teoria biológica da evolução, apoiados sobre deduções matemáticas de alguns postulados fundamentais da hereditariedade mendeliana. Este conjunto de desenvolvimentos constitui a teoria neo-darwinista ou teoria sintética da evolução, a qual foi aperfeiçoada por T. Dobzhansky, G.L. Stebbins, James W. Valentine, Francisco J. Ayala, Ernst Mayr e George G. Simpson. Nesta perspectiva, a definição mais geral de evolução foi dada por Lewontin: "O estado actual de um sistema é o resultado de modificações mais ou menos contínuas do seu estado original". Ou, como prefere dizer Dobzhansky: "A evolução consiste numa alteração da composição genética das populações", ou, com maior precisão, numa alteração da frequência de alelos no seio das populações. A redescoberta das leis de Mendel (1822-1884) realizada por Hugo de Vries permitiu resolver o problema da variação: a genética mendeliana rejeita a teoria da hereditariedade por mistura, mostrando que a hereditariedade se baseia em "partículas elementares", os genes, que não se misturam entre si à maneira dos líquidos, mas permanecem bem distintos durante a transmissão hereditária. O esquema darwinista é revisto à luz do mendelismo: as variações espontâneas mais não são do que mutações (T.H. Morgan, o pai da genética moderna) em que a selecção natural viria operar e a competição passa a situar-se ao nível do mutante e do normal, devendo o mais dotado vencer o menos dotado e acabando, através de cruzamentos, por impor a sua descendência a todo o grupo. A selecção natural limita-se a fazer uma triagem ou "escolha" entre o "gene selvagem" e a sua mutação, para conservar apenas o mais bem adaptado às exigências do meio. O processo de mutação fornece o material genético bruto com o qual a selecção pode trabalhar. A emergência da moderna teoria da evolução foi pensada como resultado de uma revolução filosófica: a substituição do modo de pensamento tipológico pelo modo de pensamento populacional (Mayr). Esta mudança de paradigmas está na base do desenvolvimento da genética das populações. Ernst Mayr sempre apresentou a teoria sintética da evolução ou síntese moderna (Huxley) como a teoria unificadora da biologia. Porém, apesar da beleza desta teoria unificada, os darwinistas dividem-se em grupos envolvidos em controvérsias científicas: os gradualistas defendem que a evolução ocorre por meio de uma sequência de modificações imperceptíveis, desde que se espere bastante tempo, enquanto os saltacionistas ou mutacionistas admitem descontinuidades maiores no decorrer do processo evolutivo. Esta última teoria foi elaborada por Hugo de Vries: um espécime pode nascer de um único mutante, desde que a mutação seja suficientemente profunda para conferir ao seu portador caracteres inteiramente novos e muito favoráveis. R. Goldschmit e, mais recentemente, Stephen Jay Gould e Niles Eldredge retomaram esta teoria: o esquema das mudanças bruscas ou da evolução por saltos opõe-se à visão de Darwin da evolução como um processo gradual, operando por intervenções sucessivas, disseminadas por longos períodos de tempo, e avesso a modificações bruscas e únicas, destituídas de valor evolutivo. Ao defender a ideia de que o nascimento de uma espécie se faz por um salto, a partir de uma espécie-mãe, a teoria mutacionista pode ser qualificada como antidarwinista: a evolução por saltos proposta por Goldschmit é realmente contrária à teoria darwinista. Outra controvérsia científica derivada da discussão da estrutura genética das populações (a relação entre selecção natural e o polimorfismo genético) é a que eclodiu entre seleccionistas e neutralistas, a propósito do papel do acaso na evolução: os seleccionistas consideram que o alvo da evolução não é o indivíduo ou o gene, mas sim a população, isto é, o conjunto de indivíduos interfecundos, vivendo na mesma época e num mesmo lugar e participando do mesmo pool de genes; enquanto os neutralistas, liderados por Motoo Kimura, postulam que a maior parte das mutações permanecem neutras, ou seja, defendem que os diferentes alelos de uma mesma série têm o mesmo valor selectivo. Estas mutações neutras distribuem-se de acordo com as leis do acaso: a selecção natural não constrói e não inova; pelo contrário, protege e mantém, eliminando apenas as raras mutações desfavoráveis. Estas controvérsias científicas, bem como outras que não vou analisar, são extremamente saudáveis: elas ajudam a acelerar o crescimento do conhecimento científico dos mecanismos do processo de evolução, tanto da evolução filogenética que consiste nas mudanças graduais que se produzem com o tempo numa só linha de descendência, como da especiação que se verifica quando uma linha de descendência se divide em duas ou mais linhas, dando origem à diversidade da vida, através da implementação de experiências deveras interessantes e inovadoras. Neste aspecto, apesar de não concordarmos com a filosofia implícita na sociobiologia, devemos integrar os contributos decisivos dos defensores do princípio do egoísmo genético: todos estes biólogos ajudaram a esclarecer não só a história evolutiva dos organismos, mas também a descobrir os mecanismos que explicam a mudança evolutiva, tais como a recombinação genética ou a derivação genética. 2. Os evolucionistas do século XIX, incluindo Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829), procuraram fundamentalmente demonstrar que a evolução era um processo que tinha ocorrido efectivamente na história geológica da Terra. Darwin apresentou, na sua obra "A Origem das Espécies" (1859), um conjunto de cinco categorias de provas da evolução: as provas paleontológicas, biogeográficas, sistemáticas, morfológicas e embriológicas. As provas paleontológicas testemunham a maneira como realmente decorreu a evolução das espécies à superfície da Terra: os restos fósseis são os arquivos da história da vida e a análise de alguns exemplos corrobora a noção de evolução. As provas biogeográficas estão relacionadas com a distribuição das espécies na superfície da Terra: Darwin procurou explicar a distribuição geográfica de determinadas faunas particulares através da noção de "descendência com modificação". As provas sistemáticas referem-se à classificação das espécies num vasto sistema de géneros, famílias, ordens, classes, etc.: as classificações são, para Darwin, genealogias, capazes de fornecer o "plano da Criação", e, como não são arbitrárias, reflectem aglomerados de formas orgânicas objectivamente observáveis e às quais Darwin atribui a uma descendência comum. As provas morfológicas referem-se à morfologia dos animais: as homologias existentes na organização de traços anatómicos de espécies distintas testemunham a existência de relações genéticas comuns. As provas embriológicas dizem respeito ao desenvolvimento dos embriões: a famosa "lei da recapitulação" de Ernst Haeckel (1834-1919) afirma que a ontogénese (o desenvolvimento embrionário) recapitula a filogénese (a formação sucessiva das espécies por descendência durante os tempos geológicos). O conjunto destas provas da evolução apresentado por Darwin foi suficiente para convencer quase todos os membros da comunidade científica até aos nossos dias: as espécies nascem de outras espécies que são os seus antepassados. Porém, muito recentemente, Michael Denton negou o próprio facto da evolução das espécies, dando abertura ao aparecimento de uma biologia criacionista. É difícil explicar este ressurgimento retrógrado das teorias das criações sucessivas, defendidas no passado por Georges Cuvier (1797-1832), Louis Agassiz (1797-1873) ou Alcide d'Orbigny (1802-1857), e com as quais Darwin tinha rompido ou, pelo menos, aberto o caminho para a ruptura, a não ser em função do desenvolvimento acelerado da biologia molecular e da bioquímica do nosso tempo, cujos maiores triunfos foram alcançados com o auxílio da biologia cartesiana que visa reduzir a biologia à posição de um ramo especializado da química e da física, explicando as leis biológicas a partir de leis físico-químicas. Ora, Denton é bioquímico e, como tal, nunca observou os seres vivos na natureza. A sua teoria foi elaborada não a partir do que revelam os seres vivos inteiros, mas sim a partir de uma sopa molecular colocada em provetas: a nossa cultura científica já não é uma cultura naturalista. Michael Behe é outro bioquímico que rejeita completamente a teoria da evolução, alegando que as máquinas vivas foram planeadas por um arquitecto superior. No entanto, este retrocesso teórico pode ser explicado pelo desencanto produzido pela versão ultra-adaptacionista do darwinismo, protagonizada pela sociobiologia, tal como é praticada por W.D. Hamilton, Richard Dawkins, John R. Krebs, Nicholas B. Davies, John Maynard Smith, George C. Williams, R.L. Trivers e Edward O. Wilson, e pela sua associação íntima com o pensamento de Direita ou mesmo com a Nova Direita. É evidente que Darwin, na sua obra "A Origem do Homem e a Selecção Sexual" (1871), colocou (parcialmente, dado Wallace ter sido mais radical) o homem ao mesmo nível das outras espécies de seres vivos: destronou o homem da sua posição dominante no mundo, prolongando assim a revolução desencadeada por Copérnico, pela qual a Terra, habitat do ser humano, tinha sido destituída da sua posição de centro do mundo, como vimos em posts anteriores. A revolução darwinista completa a revolução copernicana: com Darwin, bem como com Marx e Freud, o homem parece condenado a admitir que o seu lugar na natureza não é central e que o seu aparecimento enquanto espécie foi contingente. A sociobiologia vai mais longe quando pretende ser portadora de uma mensagem sobre o sentido da existência humana. É esta conversão da teoria da evolução numa "teoria moral" (Robert Wright) que está na raiz das recentes controvérsias científicas: R.C. Lewontin acusa os sociobiólogos de apresentarem e defenderem uma imagem do homem redutora e moralmente chocante e a embriologista Rosine Chandebois propôs uma nova teoria explicativa dos fenómenos evolutivos que, excluindo simultaneamente o acaso e o papel da selecção natural, abandona ao mesmo tempo o darwinismo. (Publicado aqui.) J Francisco Saraiva de Sousa



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